quinta-feira, 24 de setembro de 2009

E seu nome era Jonas

Jonas passou três anos e quatro meses de sua vida em uma instituição para deficientes mentais. Ao final desse tempo retorna ao lar.

Em sua casa moram o pai, a mãe e um irmão menor. O pai não aceita que Jonas seja um ser diferente, chegando ao ponto de abandonar a família por não conseguir conviver com os problemas familiares e por não querer conviver com um filho que ele considera “anormal”.

Em casa Jonas tenta se fazer entender e não consegue sucesso. A língua de sinais não era conhecida de seus familiares e parece que também não era uma prática aceitável na época.

As escolas, despreparadas, não aceitavam as diferenças e tentavam alfabetizar seus alunos de qualquer modo, custasse o que custasse, utilizando o método de repetição.

Quando Jonas foi matriculado em uma delas recomendavam o uso de aparelho de audição e proibiram a língua de sinais, pois isso se tornaria um “vício” e ele nunca mais iria “falar”. Nunca iria ser um membro inserido totalmente na sociedade e seu mundo de relacionamentos seria somente o de surdos. Entendiam e aceitavam como verdadeira somente a comunicação oral.

Com alguns alunos esse tipo de escola conseguia sucesso e com os que não conseguiam rotulava de retardados.

Com Jonas não foi diferente. Usou aparelho, participou das aulas juntamente com seus colegas, mas não se adaptou. Apresentava rebeldia e não aceitação do fato. Tinha no avô, o melhor amigo.

A mãe sempre presente na vida de Jonas não se conformava em não conseguir se comunicar com o filho. O fato que desencadeia a busca da mãe por solução para o problema que estava enfrentando, ou seja, se comunicar com Jonas foi a ansiedade e o desespero de Jonas para tentar se fazer entender, por sinais, que queria um cachorro-quente.

O não conformismo da mãe com a situação é o que faz a vida de Jonas se transformar num novo mundo, num mundo de descobertas. Estando sempre em busca dessa solução buscava ajuda e orientação. Informava-se da validade ou não da língua de sinais. Pesquisava, buscava soluções para poder estabelecer comunicação com o filho. Estava sempre atenta.

Certa vez, em uma sala de espera, de uma clínica especializada viu um casal juntamente com seu filho se comunicando através de sinais. Foi conversar com o casal e descobriu que ambos eram surdos.

O homem havia nascido surdo e sua esposa ficou aos sete anos. Este casal convida a mãe de Jonas a participar de uma reunião no “Clube dos Surdos”. Vai, juntamente com uma amiga, a princípio com certa desconfiança e preconceitos. Lá conhece e se encanta com a facilidade de comunicação que os membros do clube estabelecem entre si.

Decide que é aquilo que quer para o filho. Que quer se comunicar com o filho. Quer entender Jonas e se fazer entender por ele.

Comunica à escola que Jonas vai aprender a língua de sinais. A professora não aceita, chegando ao ponto de dizer que amarrará as mãos de Jonas se preciso for.

Jonas é retirado da escola pela mãe.

A mãe leva Jonas para conhecer um membro do clube. E este começa a ensinar para Jonas a língua de sinais.

A comunicação começa a ser estabelecida na família, pois até o irmão menor de Jonas começa a sinalizar juntamente com ele.

2 comentários:

Anice - Tutora PEAD disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anice - Tutora PEAD disse...

Olá, Elaine: Que triste história essa do Jonas. Mas que bom que tem uma mãe que se interessa por este e procura soluções para entendê-lo. A língua de sinais existia e eles nem sabiam até deparar-se com o casal. Este caso, na verdade, é o exemplo de muitos tantos por aí que nem sequer sabem da existência deste idioma, não é mesmo? Por isso, também a importância da divulgação. Abraço, Anice.