domingo, 26 de julho de 2009

O ÍNDIO

Há mais pó menos cinco anos fui com uma turma de alunos visitar uma reserva indígena em Viamão.

Lembro que na época fiquei chocada com a pobreza em que eles viviam. Pensava “por que os ambientalistas insistiam em preservar uma cultura indígena?” Por que se insistia tanto que os índios deveriam preservar sua cultura? Por que não os deixavam progredir como pessoas ativas dentro da sociedade? Qual o valor que tinha naquela forma pobre de viver?

Enquanto caminhava pela reserva, pensava na pobreza que via. Na sujeira que eu, pessoa branca, via.

Meu olhar era de extremo preconceito. Via a cultura deles a partir da minha cultura. O meu olhar era um olhar de superioridade, quase ariano. Um olhar de extermínio.

Preconceito puro de quem não conhece ou pensa conhecer.

Andando por lá, voltou a minha memória o caso do índio Galdino queimado vivo em Brasília. Como nós nos achamos superiores! Donos do mundo, donos da terra!

Lembrei das notícias dos jornais, lembrei da fala do advogado de defesa que tentava convencer, nas entrelinhas, a opinião pública que não havia sido cometido crime nenhum. Que os “meninos” não eram capazes de ferir um ser humano.

E o que eu via naquela reserva eram seres humanos sim. Era gente. Gente que já estava aqui quando Cabral chegou.

Gente que viva a vida de modo diferente do meu. Gente em que o sentido de preservação e cuidado com a terra, com a água, com a natureza como um todo era muito superior ao meu.

Voltando para casa e trabalhando com os alunos comecei a me dar conta de todo o mal que fazemos por não conhecer, por não nos interessar pelo outro.

Hoje quando trabalho a cultura indígena já não é de modo ingênuo e caricato. Coloco para meus alunos todo o problema que o índio enfrenta por falta de comprometimento e respeito nosso com eles. Realizamos debates e sempre tento fazer com que meus alunos se coloquem no lugar do índio.

1 comentários:

Anice - Tutora PEAD disse...

Olá, Elaine: Gostei muito desta postagem também. Como a falta de conhecimento torna tudo tão feio! Se as pessoas soubessem de toda a história desses povos já não citariam apenas a descendência européia com orgulho. Esse teu trabalho com os alunos está sendo de grande utilidade para a sociedade como um todo, pode ter certeza. Abraço, Anice.