Para Marx a educação deveria acompanhar o desenvolvimento do homem. Mas parece que isso não aconteceu, pois a educação parece que ainda esta presa no século XVIII. A educação, a escola não muda e não consegue alterar a sociedade. Precisam ocorrer mudanças muito fortes para a escola deixar de lado seu currículo que privilegia o capitalismo. Precisamos de um ensino voltado para a inclusão dos menos favorecidos.
A escola se quiser poderá ser o ponto de equilíbrio entre as classes sociais. Poderá, se assim desejar, mudar um quadro político e econômico que é, ainda hoje, de total opressão.
Segundo Mészáros: “A doutrina materialista relativa à mudança de circunstâncias e à educação esquece que elas são alteradas pelo homem e que o educador deve ser ele próprio educado. Portanto, esta doutrina deve dividir a sociedade em duas partes, uma das quais [os educadores] é superior à sociedade. A coincidência da mudança de circunstâncias e da atividade humana ou da automudança pode ser concebida e racionalmente entendida apenas como prática revolucionária”
O professor precisa dar-se conta do seu papel social, precisa assumir uma “ética universal”, “a ética que condena a exploração da força de trabalho do ser humano, a ética que se sabe traída e negada, a ética hipócrita e afrontada nas manifestações que discriminam raça, gênero e classe”. (FREIRE, Pedagogia da Autonomia).
Mas voltando a Marx, não consigo concordar plenamente com as suas idéias quanto a colocação das crianças no mercado de trabalho, nas linhas de produção conforme as suas idades, como um meio das classes menos favorecidas ascender ao poder.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Marx e a educação e a educação de hoje
domingo, 12 de outubro de 2008
Refletindo ...
Nem sempre uma pessoa que já tem dezoito anos ou mais pode ser considerado adulto. Hoje principalmente vemos jovens “adultos” que ainda não abandonaram o lar paterno. E temos também adolescentes (digo adolescentes devido à idade) que já assumiram responsabilidades que muitos adultos ainda estão longe de assumir.
A idade mental e a idade cronológica então nem sempre estão em sintonia.
Na sala de aula também ocorre de termo alunos com 12 anos ou mais e que ainda não estão no estágio das operações formais assim como temos alunos com nove, dez anos que já estão fazendo abstrações.
Cabe ao professor identificar os diferentes estágios de desenvolvimento de seus alunos para melhor solucionar os problemas dos mesmos. Se o professor perceber que o aluno apesar de sua idade precisa do concreto, deve utilizar e muito deste recurso. Se o aluno precisa de trocas, deve oportunizá-la.
Geralmente trabalho com meus alunos em grupos e os coloco em grupos bem misturados, pois agora acredito nas trocas e nas apropriações dos saberes dos outros. Incentivo-os a serem “ladrões” de conhecimentos. Durante os trabalhos de pesquisas e apresentações sempre distribuo os grupos de forma bem heterogênea. As trocas entre os alunos são na maioria das vezes, muito mais proveitosas do que quando passadas pelo professor.
Essa troca é um fato que ocorre em diferentes níveis de aprendizagem.
Aqui mesmo no Pead notamos que as trocas de conhecimento e de saberes ocorrem com maior freqüência e são de extremo valor, tanto para quem passa o conhecimento quanto para quem o recebe.
Quando iniciei no curso encontrava-me totalmente perdida, precisava muito e olhava o trabalho de meus colegas, via como estava elaborado e qual era a idéia que eles estavam apresentando, mandava e-mail, pedia socorro... Precisava do suporte de alguém ou de algo. Sentia-me muitas vezes envergonhada de estar me apropriando das idéias de outros. Mas consegui ir vencendo e comecei a trabalhar com mais autonomia.
Mas isso foi muito bom para mim enquanto professora, pois foi a partir do Pead que realmente me dei conta, que o ser humano que está em processo de conhecimento, não importa em que idade precisa de trocas, precisa aprender com o outro e que isso não deve ser um entrave em toda a caminhada, mas sim o próprio caminho. E agora que aprendi e vivenciei essa situação consigo me colocar no lugar do meu aluno, percebendo as angústias que ocorrem quando ele se sente sozinho e sem apoio. Assim como noto o seu real aprendizado quando inserido em um grupo onde as trocas estão sendo oportunizadas.
domingo, 28 de setembro de 2008
Paulo Freire e Maturana.
Paulo Freire (Pedagogia da Autonomia, p. 69) diz que historica e socialmentes, nós homens e mulheres nos tornamos os únicos capazes de aprender. Somos os únicos seres “em quem aprender é uma aventura criadora”. Aprendemos e aprender para nós é construção, reconstrução. E essa construção e reconstrução são muito mais do que algo condicionado.
Percebe-se na fala dos dois autores a importância da linguagem, pois é ela, a linguagem, que determina a posição do homem no mundo e estabelece o desenvolvimento humano. E falar está diretamente ligado ao escutar e somente que escuta é capaz de “falar” como afirma Freire (p.113). E esse falar podemos entender em Maturana como “determinado encontro com o outro”.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Primavera
Cecília Meireles
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
